Nos dias de hoje ser menor não é sinônimo de vadiagem

A coluna de hoje é sobre um assunto que me chamou a atenção, mas que tem tudo a ver com nosso dia a dia. Ao chegar à casa da minha mãe para jantar um dia desses, meu padrasto nos contou uma história que, nos dias de hoje, é quase impossível de acreditar.

Ele comentou que durante trabalho rotineiro em sua Auto Peças em que ele é proprietário, um garotinho, pequeno, jovem chegou à oficina e pediu quem era o proprietário, após ele se identificar, o jovem, muito disposto e bem falante, puxou um papel e o entregou.

Neste papel bem feito, redigido e em letras legíveis, tratava-se de um currículo. Rapidamente o menino começou a falar que ele estava atrás de um emprego como menor aprendiz. Questionado sobre a idade do mesmo, meu padrasto teve uma nova surpresa, pois o jovem estava com exatos 14 anos e um mês.

Meu padrasto disse não saber como funcionaria o programa e que teria que se informar sobre o assunto com alguém que entendesse sobre tal. O homem foi mais uma vez surpreendido pelo menino, o qual disse que bastava ele fazer a indicação do jovem junto ao Senai para iniciar o curso na área e poder começar a trabalhar na Auto Peças. O menino além destes detalhes explanou para meu padrasto todos os detalhes possíveis sobre sua contratação.

Ele nos contou que em todos os seus anos de trabalho, foi à primeira vez que alguém chamou a sua atenção ao levar o currículo, não desmerecendo todas as demais pessoas, mas sim pelo fato de alguém tão novo mostrar tanto interesse em começar a trabalhar, ainda mais nos dias de hoje, onde vemos crianças das mais diversas faixas etárias cometendo crimes bárbaros, na vadiagem ou mendigando esmolas nas entradas de supermercados.

Vemos nossas crianças sendo mimadas por pais despreparados; vemos uma educação precária e de péssima qualidade; vemos políticas públicas sendo feitas para beneficiar políticos ou empresários; vemos uma justiça feita em benefício ao infrator e assim por diante.

Há duas ou três semanas fui atender uma ocorrência de roubo a uma padaria, chegando à delegacia um dos envolvidos era menor – confesso que não me surpreende mais pois só naquela semana, aquela era a terceira ocorrência envolvendo menores em Caçador – tinha 17 anos, questionei ele sobre o motivo do qual teria para cometer aquele crime, o jovem disse que não estava conseguindo emprego e precisava de dinheiro.

Questionei-o mais uma vez, do porque não foi procurar um emprego, o jovem rebateu falando que já havia procurado, mas que não encontrava.

Seria falta de oportunidade no mercado de trabalho para nossos jovens? Ou seria falta de vontade de muitos?

Seria porque hoje os jovens ganham tudo de mão beijada, escola paga, uniforme, celular, videogames e etc. Quantos jovens como esse menino de 14 anos nós vemos nas ruas com um currículo em baixo do braço procurando um primeiro emprego?

Vemos jovens de 16, 17, 18 anos para cima sem ter se quer arrumando um primeiro emprego, ou vemos ainda esses jovens saindo de empregos por falarem que não aguentam a carga horário, que não se adaptaram ao local ou que aquele não é o emprego para ele.

Mas ao mesmo tempo vemos esses jovens andando com roupas de marca, celulares de última geração, tênis da moda fingindo ser quem não são; fingindo ter o que não têm e assim por diante.

Porque nossos jovens estão “perdidos”?

Quem seriam os responsáveis por isso?

Quem é o responsável direto pela educação dos jovens?

Pois bem, estas são algumas perguntas simples de serem respondidas por todos nós

Por Luiz Michel Zanatta