Havan em Caçador – Um sonho que morreu na casca

Há exatamente dois anos (completando hoje), foi veiculada em toda a imprensa Caçadorense a seguinte matéria “Cobalchini articula vinda da Havan para Caçador”, publicada no dia 06 de janeiro de 2015 pelo Jornal Informe. Esta matéria reacendeu em toda a população caçadorense uma nova esperança. Muitos olhos chegaram a brilhar quando viram essa notícia, afinal, a vinda de uma gigante loja de departamentos como essa, traria não só novas opções em compras para a população, mas também Caçador poderia começar a ser assistida por outras gigantes empresas de variados ramos de atuação.

Ainda no mesmo mês outras matérias foram veiculadas, uma que parecia que Caçador poderia ser palco para esta empresa multimilionária trazia o seguinte título “’Queremos um lugar que seja a cara da Havan’, diz presidente da empresa em visita a Caçador”. Neste mesmo dia, acompanhado de políticos e empresários Luciano Hang, presidente da empresa, visitou Caçador e alguns possíveis locais onde a megaestrutura poderia ser construída. Neste exato momento, os olhos de mais de 70 mil habitantes, voltava a brilhar, reascendia aquela pequena chama, aquela pequena esperança do caçadorense de ser um município onde poderíamos sair do mapa do esquecimento e entrar na rota de outras grandes empresas.

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Ainda na data, o presidente da Havan deu o seguinte pronunciamento “Caçador é um município polo regional. Gostamos dela. É dinâmica, congregam várias outras cidades, e a Havan quando vem é pra somar. Beneficia o comércio, indústria, geração de empregos e tudo isso acaba animando a cidade. Estamos procurando uma localização que seja a cara da Havan. Somos chatos neste ponto, pois tem que ser um lugar maravilhoso”.

Como não acreditar que algo poderia dar certo, após Caçador perder grandes empresas como a BRF, ou então uma universidade estadual como a Unoesc? Seria mais uma expectativa falha, seria mais uma ilusão ao caçadorense, povo que batalha, levanta cedo para trabalhar e só para tarde da noite! Seria mais uma esperança para aquela mãe de família que estava desempregada ou que foi simplesmente “chutada” de uma loja comercial por “não atender” os requisitos da empresa? Seria uma esperança para aquele jovem que está se inserindo no mercado de trabalho para adquirir uma experiência e puder ajudar na renda familiar, onde o pai possivelmente esteja ganhando um salário-mínimo e a mãe ou é doméstica ou do lar? Seria a grande chance de Caçador começar a crescer e se tornar um polo turístico, ajudando assim o Zé do pastel, ou a tia do churros, que trabalha de domingo a domingo para poder sustentar sua família? Às vezes nos pegamos com muitas perguntas e nenhuma resposta…

Ainda na série de matéria, e que queria deixar registrado meus parabéns ao empenho do Jornal Informe e a vasta cobertura em relação a este assunto. A terceira matéria tinha o seguinte título, e que particularmente não me surpreendeu, mas que ao mesmo tempo houve uma mistura de sentimentos, como o de raiva, revolta e indignação. Dizia o seguinte, “CDL preocupada com o impacto da Havan”…

Preocupada com o impacto? Esta preocupação se dá com o crescimento que Caçador poderia ter? Com a geração de empregos? Na época o então presidente da CDL, Valtair Vargas disse que “Esta situação nos permite refletir e rever nossos conceitos, e assim podermos analisar se é bom ou ruim. Mas que, sem dúvida, nos tira da área de conforto”, meu caro, a concorrência existe, mas o coronelismo comercial em Caçador é tão grande, que eles não aceitam que algo venha para cá, para beneficiar a população e toda a região. O cartelismo é tão grande que eles não têm concorrência alguma, afinal, assim como em postos de combustível, os preços são tabelados, fazem com que o caçadorense pague mais com um único objetivo, o de enriquecer seus bolsos sem fundo e de proporcionar esta satisfação pessoal de muitos donos de lojas e outros comércios no município.

E, por fim, uma última notícia me chamou mais ainda a atenção, ela teve como título a seguinte frase “Caçadorenses pedem de joelhos a Havan”. Eis um exemplo claro de como nosso povo estava esperançoso e ansioso para que pudéssemos em fim ser privilegiados com uma grande conquista como essa. A matéria em questão mostra três jovens de joelho em frente a uma filial da Havan na cidade de Rio do Sul.

joelho

Os jovens foram criativos e escreveram em uma postagem que fizeram no facebook “Estamos pedindo, por favor, veeem pra Caçador, veeem!”, a autoria é dos jovens David Wyllians, Weskley Granemann e Sandra Eliza Coelho.

Ainda em uma observação o jovem Weskley diz “Caçador merece uma rede grande, merece uma loja de departamentos. É uma excelente loja, com grande variedade. Pra “quebrar” digamos assim com os preços, pra que haja uma real concorrência e descentralizar um pouco”.

Na época o Presidente da Havan disse em entrevista ao mesmo jornal que o que faltava era o local para a instalação da loja. “Caçador é um município polo regional. Gostamos dela. É dinâmica, congregam várias outras cidades, e a Havan quando vem é pra somar. Beneficia o comércio, indústria, geração de empregos e tudo isso acaba animando a cidade. Estamos procurando uma localização que seja a cara da Havan. Somos chatos neste ponto, pois tem que ser um lugar maravilhoso”.

Agora fica a seguinte pergunta, após exatos dois anos, quando foi anunciada a vinda da Havan para Caçador, ainda não se achou uma localização ao gosto da multimilionária? Ou fomos mais uma vez iludidos com falsas promessas de nossos políticos e do presidente da loja de departamentos?

Iria Caçador, mais uma vez, perder uma oportunidade de crescimento na renda, na empregabilidade?

Infelizmente são tantas perguntas, para tão poucas respostas… Enquanto isso, ficamos a mercê, desassistidos no mercado nacional e assim por diante!

Por Luiz Michel Zanatta

Caçador, 06 de janeiro de 2016