Um homem de origem Haitiana, que mudou para o Brasil para procurar dias melhores para ele e sua família não imaginava que passaria tamanho constrangimento e humilhação em uma agência do Banco do Brasil no município de Caçador, meio oeste catarinense. Luckner Gaspar, precisava abrir uma conta bancária, mas foi impedido de entrar no local por estar usando um sapatão com biqueira de aço.

Luckner foi até a agencia para abrir uma conta para um emprego que ele recém havia conseguido em uma empresa de Caçador, foi neste momento em que a humilhação começou.

O descaso aconteceu nesta quarta-feira (03), na agencia bancária localizada na Avenida Barão do Rio Branco, centro de Caçador.  Mesmo depois de deixar as chaves e os pertences no local indicado, a porta giratória travou. Luckner percebeu então que não poderia entrar porque usava uma bota com a ponta revestida de aço, “Eu fui até a agência e quando tentei passar pela porta giratória ela travou. Disseram que é por causa da minha bota”, contou o trabalhador.

Vendo que o problema era seus sapatões com a biqueira de aço, o trabalhador, humildemente retirou os calçados e tentou entrar com os pés descalço, mas foi impedido pelos vigilantes do banco e o constrangimento começou.

“Eu quis tirar a bota para entrar, porque precisava abrir uma conta, e não iria dar tempo de voltar, pois estava na experiência do trabalho e preciso desse emprego para sustentar minha família, mas me não deixaram entrar. O pessoal da portaria disse que mesmo eu tirando a bota não poderia entrar no banco”, disse Luckner.

Mesmo sendo uma pessoa humilde e vinda de fora do Brasil, o haitiano conhece seus direitos e disse, acreditar que seu direito de ir e vir foi ferido nesta ação do funcionário da agencia. “Acho que infringiu o meu direito de ir e vir. Para mim isso foi constrangimento. O banco estava lotado e todo mundo me olhava e eu passando vergonha”, desabafou o trabalhador.

Sem conseguir atendimento devido ao uso da bota, Luckner voltou para casa correndo para voltar ao trabalho, pois ele mora no bairro Santa Catarina e tem que fazer todo o percurso a pé. Chegando em casa, o homem foi até a casa de um vizinho, chorando e pediu para que ele ou seu pai o levassem para o trabalho.

Após tomarem conhecimento do acontecido, os foram até a agencia bancária e conversaram com os vigias. Os policiais, ambos com boa carga de experiência na polícia, comentaram com os seguranças que faltou habilidade dos mesmos em tratar a situação.

O vizinho Renan Saner, conversou com os seguranças e acredita que as agências bancárias deveriam treinar seus funcionários para esse tipo de ação, uma vez que Caçador a base empregatícia é no ramo industrial e que o trabalhador é obrigado a utilizar este tipo de equipamento de segurança.

“O banco tem que ter um armário à disposição e gratuito para o cidadão se desfazer do material metálico que ele tem para poder entrar. Além disso, o gerente e funcionários tem que ter habilidade para resolver o problema. O cara está calçado e já comprovou que é ele que está impedindo o cliente de entrar. É óbvio que o gerente pode abrir a porta e liberar a entrada dele. É um operário e não um bandido”, completou.

Os vizinhos de Luckner, Saner e aposentado, Remi irão ajudar o rapaz, que é de outro país a procurar seus direitos mediante este descaso e humilhação que o haitiano foi obrigado a passar na agencia bancária de Caçador.

A agência do Banco do Brasil de Caçador foi procurada pela reportagem do Grupo Folha, porém a ligação foi encaminhada a um 0800 do banco, onde fomos informados que a agência só recebe ligação a partir das 10 horas. Posteriormente nossa reportagem voltará a entrar em contato para saber o posicionamento do banco quanto a esta situação.

O Grupo Folha ainda repudia este tipo de situação e estará acompanhando o caso do Sr. Luckner quanto as medidas que poderão ser tomadas futuramente.