Operação investiga irregularidade em diárias e cursos pagos pelas Câmaras de Caçador e Calmon

A Polícia Civil de Caçador deflagrou na tarde desta segunda-feira (22), uma operação que investiga irregularidades na Câmara de Caçador entre os períodos de 2006 e 2010 e no prédio da Prefeitura de Calmon, onde fica a Câmara de Vereadores de lá. Ao todos, mais de 10 pessoas entre policiais e peritos do IGP participaram da operação.

Segundo informações do delegado responsável pela operação, Eduardo Mattos, as investigações começaram pela DEIC de Santa Catarina e investiga irregularidades em diárias e cursos oferecidos a servidores e vereadores de Caçador e Calmon.
“Esta operação começou com a DEIC, onde foi identificadas algumas pessoas dentro de algumas câmaras municipais, as quais estavam pedindo diárias para frequentar cursos sendo que os mesmos não existiam. Sendo que eles se apoderavam desse dinheiro”.
O delegado explica ainda que os cursos fantasmas eram em cidades fora da região e até mesmo do estado. “A maioria dos cursos foram realizados em Curitiba, Paraná e Florianópolis, entre os anos de 2006 e 2010. A operação da DEIC foi deflagrada na cidade de Tijucas e a partir dai foi constatado que outras cidades de Santa Catarina também tinham, dentre eles Caçador e Calmon”.
O delegado disse também que a documentação com a investigação chegou até Caçador a cerca de um mês e após levantamento de dados. “A maioria dos gastas com diárias são públicos e estão no portal da transparência, então fizemos a investigação toda baseada neste portal e juntamente com auditores do tribunal de contas do estado, onde entramos em contato e após eles mandarem documentos conseguimos comprovar que três empresas que ofereciam esses cursos não existiam”, disse Mattos.
Após a prisão do administrador dessas empresas ele admitiu que elas não existiam e que alguns servidores frequentavam as cidades simplesmente para obter o valor da diária. O delegado acredita que para servidores e vereadores o valor deve girar em torno de R$ 500,00 por diária.
“Esses casos ocorrerão nos anos de 2006 e 2010 e a partir daí solicitamos que o tribunal de contas encaminhasse uma lista para saber quais os cursos que foram comprados dessas empresas pelas câmaras. Aqui em Caçador são mais de 15 cursos, cerca de 11 pessoas entre servidores e vereadores estão envolvidos e em Calmon cerca de 10 cursos e seis pessoas entre vereadores e servidores envolvidos”.
O objetivo da operação desta segunda-feira feira foi buscar documentos das prestações de contas. “As Câmaras prestam contas ao tribunal de contas, sendo que estas são públicas, mas o objetivo de hoje foi buscar documentos, notas fiscais, certificados e a comprovação de gastos dessas diárias que ficam arquivadas na câmara municipal”.
O delegado explicou ainda que todos os envolvidos irão responder por falsidade ideológica e devem responder a este inquérito policial. “Devido o decurso deste tempo, não caberia a prisão preventiva, até mesmo porque não conseguimos identificar empresas novas, mas também não descartamos a hipótese de que após este período ouve novas irregularidades, mas até então não temos novas provas, apenas neste período entre 2006 e 2010”.
Trabalharam na operação um total de 12 policiais, entre eles peritos do IGP e em Caçador foram apreendidos balancetes, atas e também alguns HDs de computadores que serão periciados para ver
se tem algum documento relacionado a investigação. Foi apreendido também o servidor da contabilidade da câmara municipal.
Ainda em Caçador foram cumpridos mandados no interior do gabinete de três vereadores, pois os mesmos eram legisladores naquele período para ver se não havia indícios de algum ato ilegal.
Já no município de Calmon, as buscas foram cumpridas no prédio da Prefeitura, pois a Câmara de Vereadores fica no mesmo prédio, porém já que lá não existem gabinetes dos vereadores, os policiais apreenderam também documentação do período correspondente a 2006 e 2010.

O delegado disse ainda que a partir da semana que vem os servidores e vereadores e ex-vereadores começarão a ser ouvidos para que o inquérito seja concluído em até 30 dias e encaminhado ao judiciário. 

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