Pesquisador da Epagri desenvolve nova pera e é o primeiro cultivar de pera japonesa criado no Brasil


Depois de apresentar três variedades de maçã no ano passado, a Estação Experimental da Epagri de Caçador tem outra novidade. Em breve será lançada oficialmente a SCS421 Carolina, primeiro cultivar de pera japonesa desenvolvido no Brasil. O trabalho faz parte do programa de melhoramento genético da pereira, coordenado pelo pesquisador Ivan Dagoberto Faoro.


Segundo Faoro, foram necessários 18 anos de pesquisa para obter o resultado esperado: uma fruta de qualidade, com maior resistência a doenças e boa adaptação ao clima da região Sul do Brasil. “Começamos esse trabalho em 1998 quando a Epagri fez uma parceria com a Agência de Convênios Internacionais do Japão (JICA). Lá conhecemos as cultivares e trouxemos diversas informações para implementar esse tipo de pera no Brasil”, lembra o pesquisador.

De lá pra cá foram feitos vários estudos dentro do programa da Epagri de Caçador. Em 1998 foram realizados os cruzamentos, sendo pré selecionadas 172 plantas. Em 2003 ficaram seis plantas e a partir de 2011, em função da qualidade dos frutos, foi escolhida uma única plantadesignada então como SCS421 Carolina.
“A Carolina caracteriza-se por ser uma fruta mais arredondada e amarelada com relação ao cultivar mais comum de pera japonesa. O sabor também é excelente, com a polpa suculenta e doce”, detalha o pesquisador.
Com atrativos de sobra para conquistar o mercado, a expectativa é que a nova cultivar ajude a incentivar a produção de pera em Santa Catarina. Atualmente, são apenas 85 produtores, ou seja, 1,2% no mapa da fruticultura no estado, número quase insignificante se comparado a banana (3.678 produtores), uva (3.197) e maçã (3016). Dados Epagri.
“Hoje 95% da pera consumida aqui vem de outros países como Argentina, Estados Unidos e Portugal. Além disso, a lucratividade é alta. Na safra de 2012-13 o quilo da pera comum rendia ao produtor R$ 1,90 o quilo, enquanto a japonesa chegava a R$ 5,00. Então é uma fruta com potencial de mercado”, afirma Faoro.

Com cerca de 100 frutos armazenados em uma câmara fria, a Epagri tem apresentado a pera Carolina em feiras e exposições. Também está sendo preparado um folder de divulgação do novo cultivar.
Por opção da própria Epagri, a Carolina não foi inscrita no registro nacional de cultivares e por isso sua multiplicação é livre, desde que seja respeitado o nome comercial. A expectativa é que a fruta entre no mercado em cinco anos, inclusive com potencial para exportação. 

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